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A BUSCA



Primeiro filme do diretor Luciano Moura, A Busca é um drama familiar que tem Wagner Moura provando, mais uma vez, que é o melhor ator do cinema brasileiro atualmente. Com sua simplicidade e flexibilidade, a sua atuação vale o ingresso do cinema.

No filme, Theo (Wagner Moura) vive uma recente separação de Mariana Lima (Branca) com a qual tem um filho que não conversa – Pedro (Brás Antunes). Pedro, que tem tudo que um garoto gostaria de ter, resolve fugir de casa no dia do seu aniversário num cavalo preto. Desesperado, Theo pega o seu carro com gasolina infinita e vai em busca de pistas sobre o seu filho, atravessando dois estados, conhecendo pessoas e vivendo situações inusitadas que vai fazendo com que ele valorize o seu lado paterno. 

Esse road movie, às vezes meio perdido, tem cenas que poderiam ser facilmente excluídas e coadjuvantes ricos, mas pouco aproveitados. A montagem falha nesse aspecto e o roteiro ganha pontos ao fazer algo que poucas vezes acontece; ele diz muita coisa até em cenas sem diálogos. Nada é muito dito ou exposto. Isso é interessante.

O final, que alguns podem já imaginar, promete ser o ápice da emoção com um encontro entre Wagner Moura e Lima Duarte, mas não é. Para mim, o que falta em A Busca foi realmente assumir uma carga dramática maior, mas de qualquer forma é um bom filme nacional que merece ser visto. 
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GONZAGA - DE PAI PRA FILHO



VER, OUVIR E SE EMOCIONAR

Amo filmes que envolvem música, ainda mais quando se une com uma história rica e fantástica de um homem brilhante como Luiz Gonzaga - (Comecei logo com um monte de adjetivos – rs). Roteiro de Patrícia Andrade e direção de Breno Silveira – a mesma dupla do elogiadíssimo Dois filhos de Francisco, Gonzaga – de pai pra filho é mais que uma cinebiografia sobre o Rei do Baião. O filme conta a conturbada relação entre Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha.

Tudo começa a partir de uma gravação real onde Gonzaguinha entrevista seu pai e o mesmo começa a contar toda a sua história – um acerto de contas até então nunca divulgado. Luiz Gonzaga é filho de sanfoneiro e apaixonado pela filha de um coronel; um amor impossível e, para manter-se vivo foge de Exu (sua cidadezinha) e alista-se no exército por onde fica por mais de 10 anos – ia para as revoluções, mas nunca deu um tiro sequer. Curiosidades como essas são desvendadas através de cenas bem encaixadas, fotos e vídeos reais numa narrativa compassada e bem humorada do protagonista.

Quando Gongaza redescobre a música, ele começa a tocar valsas e tangos pelas ruas do Rio de Janeiro com sua sanfona para sobreviver até perceber que o povo queria algo diferente; mais animado. É aí que ele volta às suas origens nordestinas, começa a fazer sucesso, se casa, tem um filho e fica viúvo. Sempre com a agenda lotada de compromissos, Gonzagão quase não vê o filho que vai crescendo revoltado num subúrbio carioca na casa dos amigos de seu pai. Tudo é mostrado de forma muito didática, só fica mesmo a dúvida se houve traição ou não por parte da mãe de seu filho. É daí que surge o drama familiar – não se sabe se Gonzaguinha é realmente filho carnal de Luiz Gonzaga.

O elenco, em sua maioria amadores, dão show de naturalidade, deixando a história mais convincente. A fotografia e a direção de arte apresentam muito bem as diferentes épocas pelos quais passa a sequência. Aliás, fotografia em filme de sertão é quase sempre espetacular, hein?

Mostrando como o Nordeste encanta e sensibiliza o Brasil, este filme é cheio de histórias e surpresas que você nem sente o tempo passar. A exemplo de Abril despedaçado e O Auto da Compadecida, os meus filmes nacionais prediletos acontecem neste lindo e sofrível cenário sertanejo. Gonzaga é uma bela homenagem necessária que precisa ser vista em tela grande para acompanhar a grandeza do personagem. Saí da sala de cinema cantando e muito feliz. Gonzaga – de pai pra filho é para chorar ‘de emoções’ e entrou para a minha lista de filmes favoritos.

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DOIS COELHOS




FODACIONAL

O único fato que me incomoda neste filme é não ter descoberto ele antes. Nacional e com toques hollywoodianos, só o assisti há pouco tempo e, conversando com uns amigos, pude perceber que muita gente ainda, infelizmente, nem sabe que o filme existe.

Edgar (Fernando Alves Pinto) tem um plano. O nosso anti-herói (um cidadão comum) tem o plano de pegar assassinos e corruptos numa cajadada só. Após passar uma temporada em Miami, Edgar assim como a maioria de nós brasileiros, cansou da impunidade em nosso país e decide fazer algo de bom com a sua inteligência.

Claramente inspirado em filmes de Tarantino, Afonso Poyart fez um belo trabalho em seu longa metragem de estreia. Além de diretor é também o responsável pelo magnífico roteiro do filme, cheio de explosões, tiros e bom humor. De nomes famosos do grande público, apenas Alessandra Negrini, Taíde e Caco Ciocler completam o elenco que está super afinado e não deixa nada a desejar - às vezes dá até a impressão de que não existe texto, que é tudo no improviso. Também não poderia deixar de citar os excelentes grafismos e trilha sonora que dão o tom jovial-urbano de um vídeo clipe que a trama brinca.

Dois Coelhos é literalmente uma surpresa foda. Com ritmo ultraveloz não-linear, a sequência exige a mesma velocidade do espectador para as reviravoltas do mundo do crime e da corrupção. Para todos os públicos, um filme que merece ser visto e elogiado; para aqueles que ficam tentando adivinhar final de filme, uma pegadinha - se seu plano é esse... hahaha.

Desista e se deixe levar pela narrativa!Definitivamente, entrou fácil para a minha lista de filmes favoritos.
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E AÍ, COMEU?



SURUBA DE IDEIAS
Com o excelente argumento de que ‘a conversa de bar virou filme’, E aí, comeu? se mostra uma divertida comédia nacional sobre o amor e o sexo. Sem medir palavras, esta comédia sexista é uma suruba de ideias sobre o universo masculino.

Fernando (Bruno Mazzeo), Afonsinho (Emilio Orciollo Netto) e Honório (Marcos Palmeira) são três amigos que vivem suas diferentes histórias e que todos os dias se encontram no Bar Harmonia para ‘tomar uma’ e trocar ideias sobre seus relacionamentos e angústias sexuais/amorosas.

Fernando não se convence da sua recém-separação enquanto é aliciado por sua vizinha - uma menina de 17 anos nada ingênua; Afonsinho é um escritor boa-vida que nunca consegue terminar de escrever um livro e se apaixona por uma prostituta e Honório é um jornalista machão que desconfia que sua esposa esteja o traindo.

Bruno Mazzeo já havia convencido no ótimo Cilada.com (que inclusive vai ganhar continuação) e, mais uma vez mostra seu ótimo talento para a comédia de situações. Marcos Palmeira e Emilio Orciollo estão bem e completam o trio da testosterona. A direção de arte está ótima, apesar do ‘pouco trabalho’ de representar um bar carioca, onde se passa boa parte das cenas e não poderia deixar de citar a super participação de Katiuscia Canoro– numa das cenas mais baixaria-cômicas do filme.

Adaptação de uma peça teatral de Marcelo Rubens Paiva, E aí, comeu? é um culto ao falo - o Sex and the City às avessas e carioca – mas que deve agradar homens e mulheres com momentos para rir alto e final clichê.
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O HOMEM DO FUTURO

TEMOS NOSSO PRÓPRIO TEMPO



Algo jamais feito no cinema brasileiro. Só isso já é um bom motivo para você ver este filme. Uma comédia romântica com ficção científica bem construída e com ótimas atuações de Wagner Moura e Alinne Moraes, além de efeitos especiais e cenografia que não deixam nada a desejar das produções norte americanas.

O Homem do Futuro conta a história do cientista João ou ‘Zero’ (Wagner Moura) que viveu um grande trauma durante uma festa da faculdade em 1991. Apaixonado por Helena (Alinne Moraes), João – tido como nerd - é ridicularizado no palco na frente de todos da festa e ele vive com este trauma até inventar uma máquina que o faz voltar exatamente na festa em que ele foi humilhado para impedir a repetição deste momento dramático. Porém, mexer com os fatos do passado acaba complicando ainda mais o futuro e chega um momento em que os três ‘Joões’ se encontram para discutir qual seria o melhor destino para o ‘João adolescente’. Apesar dos três serem interpretados por Wagner, cada um tem uma linha de atuação diferente e o esforço e brilhantismo de Wagner é amplamente perceptível.

Quem nunca sentiu vontade de voltar ao tempo e mudar algo em sua vida? Mesmo aqueles que dizem “não me arrependo de nada”. Até estes já pensaram sim; mesmo que por um instante. Tenho certeza! Mas, pra tudo que acontece em nossas vidas, tiramos uma lição; é essa a lição do filme. Não existe vida perfeita; existe a nossa vida e ela é única.

Durante todo o filme, a música Tempo Perdido do Legião Urbana está presente. Ela vai e volta nas vozes dos protagonistas e a impressão que dá é que o filme foi todo pensado a partir desta música que é um hino do nosso rock. Não é exagero falar que Renato Russo nos deixou muito mais do que boas músicas e Claudio Torres (diretor e roteirista) soube muito bem aproveitar o tema da canção, mesmo que o filme dê diversas idas e vindas nesta festa e muitas das cenas se repitam. Nada que perca o ritmo do roteiro – tudo fica bem encaixado. Claudio Torres tem essa característica de fazer filmes simples, bons e longe do lugar-comum do panorama tupiniquim (como ‘A Mulher Invisível’ e ‘O Redentor’). Um ótimo passatempo e uma ótima pedida para divertimento num finzinho de semana.





Abaixo, a letra da ‘música-tema’ do filme (podem cantar! rsrs):

Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo.


Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder".


Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem,
selvagem;
selvagem.


Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus
Olhos castanhos
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo,
Temos nosso próprio tempo,
Temos nosso próprio tempo.


Não tenho medo do escuro,
Mas deixe as luzes acesas agora,
O que foi escondido é o que se escondeu,
E o que foi prometido,
Ninguém prometeu.


Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens,
tão jovens,
tão jovens.





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ASSALTO AO BANCO CENTRAL




SIM. NÃO. INDIFERENTE.


Estou meio triste por não poder falar bem deste filme. Infelizmente muito se falou sobre ele e Assalto ao Banco Central simplesmente não cumpre o que promete. Até percebe-se o esforço em se fazer um bom filme, mas ao tentar ser de tudo, estragou tudo e o que poderia ser uma maravilhosa trama, quase acaba se tornando um desastre.


Eriberto Leão não convence como bandido e o cartaz do filme é até injusto ao deixar de fora nomes importantes como Heitor Martinez e Gero Camilo. Se é para vender o assalto, colocasse os bandidos no cartaz. Adorei ter visto o talentosíssimo Gero Camilo fazendo um papel diferente do que geralmente ele faz. Vinicius de Oliveira (aquele garoto de Central do Brasil) interpreta um gay enrustido e burrinho que vive o dilema do pecado e as doutrinas da igreja evangélica e junto com Fabio Lago consegue tirar algumas risadas em momentos com piadinhas toscas e cheias de clichês. Em geral, todos os personagens são de uma caricatura forçada, tanto que Giulia Gam ganha um romance lésbico apenas para ser engraçado (#fail), porque isso não influi em nada na história. Por falar em caricato, Barão (Milhem Cortaz) parece ter saído das histórias em quadrinhos com direito a aparição na porta em meio à escuridão e fumaça enquanto que Lima Duarte parece estar robotizado.



Com inspiração num fato real, que aconteceu em agosto de 2005 na cidade de Fortaleza-CE, um bando cavou por três meses um túnel que atravessou um quarteirão e foi parar em baixo do cofre do Banco Central, levando cerca de R$164 milhões (nada menos que 3 toneladas de dinheiro). O fato se tornou o assalto a banco do século e é realmente digno de cinema.


O filme começa com uma cena de sexo completamente desnecessária (assim como muitas outras cenas do filme), aos poucos mostra a formação da quadrilha sendo arquitetada por Barão e em seguida já corta para os policiais estudando o local do crime. Mesmo sabendo o final do enredo, isso quebra com qualquer expectativa que se tenha criado. Assalto ao Banco Central é conduzido de forma estranha, dando vários saltos no tempo que atrapalhou o desempenho que se poderia imaginar de um filme de… sei lá! …ação? Tarantino fez isso magnificamente em Cães de Aluguel, mas Marcos Paulo (em seu filme de estreia) arriscou feio ao fazer isso. Oura comparação que faço com Cães de Aluguel é uma cena de violência forte em que Heitor Martinez agride um personagem. (Por falar em Cães de Aluguel, prometo falar dele no meu próximo post.)



Apesar de tuuuuuuuuudo isso e da trilha sonora ‘nada a ver’, Assalto ao Banco Central não chega a ser insuportável como Federal. Ficou uma missão para outro diretor. Em minha opinião, a história foi desperdiçada e espero que um novo filme baseado neste fato seja produzido em breve.






p.s.: Estou realmente triste em não poder elogiar este filme nacional :(












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CILADA.COM


É AMOR. É CILADA

O tipo de comédia que brasileiro sabe fazer. ‘Cilada.com’, filme que tem Bruno Mazzeo como roteirista/protagonista e como diretor, José Alvarenga Jr. (de Os Normais, Divã, dentre outros) veio para divertir o público com um humor ácido e ousado (no sentido sexual da palavra). Este filme é uma adaptação da série ‘Cilada’ que estreou em 2005 no canal Multishow e virou quadro no Fantástico – ambos da Rede Globo.

Cilada.com é uma comédia bastante atual, que utiliza-se dessa profusão de vídeos no youtube que produzem novos famosos a cada semana para fazer piada e (por que não?) até mesmo nos fazer refletir sobre esse ‘problema’. A cada minuto são postados cerca 48 horas de vídeos novos no youtube e 3 bilhões de vídeos são vistos diariamente, segundo dados deste ano. Um desses vídeos que foi ‘parar’ na rede foi o de Bruno. Neste vídeo, mostra ele transando com sua namorada; uma transa que durou cerca de 10 segundos (segundo ele foram 12), expondo para todos o seu problema de ejaculação precoce. O vídeo foi postado pela sua (ex)namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme) quando ela o pegou transando com outra mulher no casamento de uma amiga. Ela decidiu também humilhá-lo, mas em escala muito maior.

Enquanto o vídeo vai passando dos 300 mil acessos, Bruno vai ficando mais famoso e passando por outras ciladas durante todo o decorrer da história. Primeiro ele decide gravar depoimentos de suas ex-namoradas falando dele, só que aí não deu muito certo quando ele percebeu que não teria muitas histórias boas para serem expostas. Depois ele teve a grande sacada de gravar uma ‘transa perfeita’ sua para também colocar na internet e limpar sua imagem.

Mas a sequência também reserva alguns minutinhos para passar uma mensagemzinha de amor e emocionar o público. Pelo menos eu, depois de tanto rir, consegui me emocionar também. Prova de que o roteiro está imexível, conseguindo contrapontos bem idealizados difíceis de conseguir.

Com diversas participações especiais – ao todo são 73, o filme traz cenas hilárias como a do pai de santo interpretado por Luís Miranda, o cineasta Marconha interpretado por Sérgio Loroza e a bafenta colega de trabalho interpretada por Carol Castro. Cenas para gargalhadas altas.

Por também tratar de problemas sexuais, poderia até arriscar em dizer que Cilada.com é a versão masculina do excelente ‘De pernas pro ar’ com Ingrid Guimarães e que fez o maior sucesso no começo deste ano. Não me considero moralista, mas fiquei preocupado com minha prima de 16 anos, que estava vendo o filme comigo, assistindo algumas cenas do filme. Afinal, eu a vi pequena e… enfim, foi difícil ver minha prima rindo de certas coisas…meio pesadas, eu diria. Admito. Tá! Levem quem quiser, mas respeitem a classificação indicativa, pelo menos. rs

Cilada.com tem todos os atributos para ser visto nos cinemas. Divertido, inteligente merece fazer sucesso, mesmo espremido entre o último filme da saga Harry Potter e Transformers 3. Vá assistir. Não é uma cilada!



Para reflexão: Eu, como publicitário, fico me perguntando porque a minha profissão é tão utilizada no cinema brasileiro. Todo mundo já sabe o que é um briefing?

Para reflexão 2: Muito cuidado ao postar algo na internet. Depois de postado, já foi!


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VIPS


ELE SÓ QUERIA VOAR

Com base no livro VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso’ de Mariana Caltabiano, o filme se inspira na história real de Marcelo da Rocha – um cara que ficou conhecido por aplicar vários golpes. O mais famoso destes golpes foi quando ele se passou por Henrique Constantino - filho do dono de uma compainha aérea durante o Carnaval de Recife e foi entrevistado ao vivo por Amaury Junior. (Veja a famosa e real entrevista clicando aqui.

Desde criança, Marcelo tem o sonho de ser como seu pai – ser piloto de avião. Na escola, tinha a mania de imitar os colegas e em casa não tinha uma relação muito boa com sua mãe (interpretada por Gisele Fróes). Com o desejo de entrar para a escola de pilotos, ele sai de casa e começa a trabalhar num aeroclube. Um ano depois, ele se envolve com o tráfico de drogas e passa a se chamar Carrera – o mais famoso piloto das pistas de pouso clandestinas do Brasil e do Paraguai. Preso pela polícia, solto e ‘demitido’ do tráfico, Marcelo volta para casa e começa a procurar um novo personagem para ‘ser’.

Carrera, Henrique... Marcelo consegue mentir para os outros e até para si mesmo com grande facilidade. Apesar de ter os artifícios para isso, a ideia de Vips não é narrar um grande drama psicológico e sim, narrar a vida de um farsante. Os roteiristas Bráulio Mantovani (Tropa de Elite e Tropa de Elite 2) e Thiago Dottori fizeram um sensacional trabalho juntamente com Gustavo Giani (montagem) dando o dinamismo que o filme precisa e que representa a euforia que o personagem carrega a todo momento. Além disso, o roteiro faz de tudo para manter certas revelações para o final e, mesmo assim, nem tudo é explicado. Mas também não se sente falta da explicação de cada detalhe.

Marcelo é interpretado por Wagner Moura que, definitivamente, veio mostrar que versatilidade é um requisito essencial para o sucesso de um ator. Fora a estranha peruca que ele usa na fase jovial do personagem, este papel é perfeito pra Wagner, já que Marcelo criava e era várias pessoas. Imaginação? Loucura ou somente picaretagem? Ele só queria voar.


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AMARELO MANGA


COR DE ALGUMA COISA

No subúrbio de Recife é contada três bizarras e possíveis histórias paralelas. Lígia (Leona Cavalli) dorme e trabalha num bar e não suporta mais sua vidinha, onde os homens a bolinam durante seu expediente. Kika (Dira Paes) é uma religiosa casada com Wellington (Chico Diaz) que, enquanto respeita a moralidade de sua esposa, tem uma amante. Dunga (Matheus Nachtergaele) é um gay que faz de tudo no decadente Hotel Texas e é apaixonado por Wellington. O filme não tem um protagonista, mas Matheus Nachtergaele, pra variar, rouba a cena e é a partir dele que os ‘microcontos’ começam a se interligar.

Até as histórias se interligarem, o longa parece episódios do extinto ‘Brava Gente’ da Rede Globo e não foi feito para agradar. A classificação indicativa é de 18 anos, mas não é só pela cena que Leona levanta o vestido e mostra a vagina para Isaac (Jonas Bloch). Além disso, o filme incomoda por mostrar cenas comuns para alguns, mas que para outros é nojento, como na sequência em que se mostra todo o processo de matança de um boi num açougue e mostra Chico Diaz numa cena simples e memorável ao desossar pedaços do boi sem o mínimo de higiene.

É preciso persistência para vê-lo até o fim, até mesmo pelo ritmo do filme, mas tenho certeza que ao final, você vai perceber que foi até bom tê-lo visto.

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DE PERNAS PRO AR


E VIRADO PRA LUA

Ingrid Guimarães e o diretor Roberto Santucci fizeram uma bela parceria. O filme foi feito para rir e cumpre esta função com grande êxito. De pernas pro ar é uma máquina de fazer rir.

Trabalhando feito louca no setor de marketing de uma fábrica de brinquedos, surge a oportunidade de crescimento e, por uma confusão do recepcionista de seu prédio, Alice (Ingrid Guimarães) troca os ‘brinquedinhos’ que utilizaria na sua apresentação pela vaga por uns outros ‘brinquedinhos’ de sex shop que pertencia à outro apartamento de seu prédio. Ela passa a maior vergonha na reunião com os presidentes da empresa e não só não consegue a vaga como é demitida e vai brigar com a dona dos objetos - Marcela (Maria Paula). Chega em casa e quando liga a secretária eletrônica tem um recado de seu marido João (Bruno Garcia) pedindo um tempo e reclamando que ela não tempo para ele. Perdida e sem saber o que fazer, ela resolve pedir desculpas a Marcela e as duas começam aí uma grande parceria.

Marcela é dona de um fracassado sex shop e topa ser sócia de Alice que decide disponibilizar os ‘sex toys’ on-line. O sucesso é muito grande e elas começam a selecionar consultoras por todo o Brasil para realizar o serviço de delivery. Ao mesmo tempo, Alice tenta voltar pro seu marido, mas cai novamente no mesmo ‘erro’ de trabalhar demais e ainda esconde dele qual é o seu novo trabalho.

O filme dá uma quebrada no meio que quase desanima, mas depois vem alguma cenas como a que Alice esquece de tirar a calcinha que vibra quando ouve som e vai pro jogo de futebol de seu filho. É de rir exageradamente! Isso é só pra citar uma de muitas cenas desse filme que, com certeza entrou para a minha lista de comédias favoritas.

Com certeza merece todo o sucesso que está fez nos cinemas e tem que ser visto até o último crédito subir, porque durante os créditos ainda temos muitas cenas excluídas do filme, mas que são também muuuuuuuito engraçadas.

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TROPA DE ELITE 2

O BICHO PEGOU

Um daqueles filmes que precisa ser visto. Um daqueles filmes que merecem um local reservado na estante. “Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro”, é uma obra densa que expõe os problemas de uma sociedade desigual e corrupta de forma clara e objetiva.

Logo no início se fala que o filme é uma obra de ficção e que qualquer semelhança é mera coincidência (algo assim). Mas... para que dizer isso? Depois de ver o filme, a impressão que se tem é: “Poxa! É assim mesmo...” ou “O filme retrata muito bem a realidade brasileira”. Sendo essa a intenção ou não, o que interessa neste segundo filme é que não há a carnificina gratuita do primeiro filme e, além do elenco primoroso, o roteiro é bem mais inteligente e recheado.

Agora, Capitão Nascimento (Wagner Moura) está 10 anos mais velho e é Comandante Geral do BOPE. Depois de uma rebelião em Bangu I, ele é considerado um herói pela população “porque bandido bom é bandido morto” e é promovido a Sub Secretário de Segurança do Estado. Na secretaria ele faz o BOPE crescer e a quase exterminar o tráfico nas favelas. Só que pra alguém ganhar, alguém tem que perder. E é nessa lógica que os policiais corruptos começam a explorar as favelas de outra forma com a ajuda dos políticos que se aproveitam para conquistar votos da população.

André Matos também tem um papel muito interessante no filme que vale a pena ressaltar; ele interpreta um apresentador de TV muito caricato, que para quem é baiano (principalmente) sabe muito bem quais foram as inspirações.

Tropa de Elite 2 é para ser visto sem piscar os olhos com seu ritmo empolgante e diversas surpresas. Um filme inteligente que, na minha opinião, merecia virar uma série. É uma continuação que supera o primeiro filme em todos os sentidos – coisa rara!

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FEDERAL


HAN?


Sem burburinhos a cerca do filme e com Selton Melo no elenco fui ver este filme esperando ver algo do tipo Tropa de Elite, mas o que vi foi um filme sem história, sem roteiro, sem nada... Sinceramente não sei como as pessoas da sala da pré-estreia não fugiram correndo. Fui um dos que resistiram até o final na esperança de algo bom acontecer, mas o final surpreende ainda mais. Chega a ser ridículo!


Demora-se muito até se explicar e entender que o filme trata de um bando de policiais federais querendo combater o tráfico de drogas, em busca do traficante Béque Batista, interpretado por Eduardo Dussek. Cenas longas e silenciosas, diálogos sem criatividade e momentos clichês, Federal tem até ator internacional... Michael Madsen – que já fez filme com Tarantino, aparece para dar um ar Fucker and Sucker (quadro do Casseta e Planeta) ao filme.


Mesmo, segundo a produção, o filme ter sido finalizado em 2006 – antes da concepção de Tropa de Elite, algumas comparações são inevitáveis. Quanto mais agora que Federal e Tropa de Elite 2 foram lançados praticamente juntos. Confesso que fico triste em ter que falar assim de um filme brasileiro. Quem me conhece sabe que isso quase nunca acontece, mas enfim...

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NOSSO LAR


Fui no embalo; assim como milhões de pessoas que estão indo ao cinema ver este filme. Agora pego a ponga no sucesso dele pra escrever uma nova crítica aqui para o SÉTIMA OPINIÃO. Infelizmente, não é das melhores.

É complicado falar de um filme que mexe com as crenças das pessoas. É complicado falar de um filme que tem devotos e foi tido como uma mega produção brasileira. Nosso Lar teve o orçamento estimado em 20 milhões de reais e é a mais cara produção cinematográfica da história do Brasil. Qualquer crítica negativa que eu faça, pode parecer anti-cética, mas a verdade (se é que a verdade existe) é que o filme é decepcionante para quem quer vê-lo como filme.

Baseado na obra literária de mesmo nome e psicografada do espírito André Luiz ao médium Chico Xavier em 1944, o filme conta a história desse espírito em sua vida pós-morte. André era um médico que tinha uma vida de excessos (apesar de pouco mostrar isso). Pai de duas crianças era aquele tipo de homem frio e sério que, certo dia morre e vai parar numa espécie de purgatório chamado de Umbral. Suplicando ajuda a uns espíritos de luz que, de vez em quando aparece neste lugar para resgatar almas, André é levado até o Nosso Lar – uma cidade futurista (à la Niemeyer) onde os espíritos vivem normalmente trabalhando...comendo...salvando vidas...reencarnando... O local foi todo montado em computação gráfica – quando se tem as visões aéreas – pelos responsáveis por criações em Babel e Watchmen. Se a intenção foi tornar real, passou longe. É totalmente perceptível a utilização dos efeitos. Nosso Lar não é o céu; é uma espécie de sociedade perfeita, onde todas as peças funcionam, inclusive os governantes. As pessoas tem uma vida absolutamente normal.

Gosto de ir ao cinema para chorar, rir... ter emoções. Nosso Lar, não me fez mexer um músculo do meu rosto. Cansativo e redundante (conseqüênciaXcausa e vice e versa), o roteiro se resume em ficar explicando didaticamente a doutrina espírita e, mesmo assim, por conta do excesso de didatismo, o filme acaba se tornando tão chato que falha até em tentar convencer aos que não acreditam em vida após a morte, mesmo que não tenha sido essa a intenção do filme. Han ran... Senta lá!

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CHICO XAVIER

INTRIGANTE

Este filme de Daniel Filho foi pensado para atrair multidões. Para alguns, Chico Xavier é um anjo; para outros, um cara intrigante. Esses dois opostos podem assistir tranquilamente ao filme que tenta humanizar esse homem em pleno ano em que faria 100 anos. Me encaixando nos que acham Chico um cara intrigante, fui ao cinema.

Interpretado por três diferentes atores para diferentes épocas de sua vida, Matheus Souza na infância, Ângelo Antônio na juventude e Nelson Xavier, este último realmente impressiona pelas características físicas já semelhantes e fica pra ele todo o mérito do filme. Nelson que, muitas vezes não é reconhecido como deveria, dá um show de interpretação. Chico Xavier mostra toda a história de vida deste médium através de milhares de centenas de flashbacks. Isso porque o filme é concentrado num debate que aconteceu em 1971 num programa chamado Pinga Fogo que era ao vivo e deveria durar 60 minutos, mas acabou durando cerca de 3 horas. Nesse programa ele foi sabatinado por pessoas que queriam “desmascará-lo” e até psicografou ao vivo...

Esta cinebiografia foi contada de forma fria e algumas vezes cômica – ao ver suas cenas com Emmanoel – seu guia espiritual, a ponto de só emocionar em dois momentos que nem pertencem à Chico; uma quando Cristiane Torloni desabafa sobre a morte de seu filho com a mãe do “assassino” e quando Tony Ramos fala que é ateu, mas que acredita na carta de seu filho psicografada por Chico – mesmo assim são cenas rápidas, mas que não prejudicam o filme. Pelo contrário, talvez tenha sido esse o maior desafio do diretor; fazer com o filme não virasse um melodrama como Dois Filhos de Francisco ou Lula.

Sucesso de público garantido, tanto que ficou algumas semanas no topo das bilheterias nacionais e um ótimo filme do começo ao fim (literalmente), já que pela primeira vez vi o público da sala de cinema ficar até a última letrinha dos créditos finais. Esse fato aconteceu porque cenas reais de Chico Xavier no Pinga Fogo são passadas enquanto passa os créditos do filme.

Detalhe: Esse texto não foi psicografado.

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LULA, O FILHO DO BRASIL


TEIMOSO

A primeira coisa que me impressionou foi ver que todos os trailers que antecederam ao filme eram de filmes brasileiros e, quando começou o filme, tive a segunda surpresa: a questão de dizer que não houve dinheiro público envolvido na realização do filme. Não precisava dizer isso; bastava divulgar na imprensa... (depois dizem que não houve interesses políticos por trás do lançamento desse filme. Mas lá no finalzinho desse texto eu discorro mais sobre essa discussão).

Sem dúvida Lula, o filho do Brasil foi o lançamento mais aguardado (por sua polêmica) do cinema nacional este ano e também não há dúvidas que Lula teve e tem uma ótima história a ser contada. Nada muito diferente de milhões de nordestinos que vão em busca de uma vida melhor em São Paulo. Começa com aquele clima meio Vidas Secas e 2 Filhos de Francisco no sertão nordestino e mostra o pai de Lula indo embora pra São Paulo, um pouco antes dele nascer. Mostra-se um pouco das dificuldades sofridas por D. Lindu – mãe de Lula interpretada por Glória Pires e, logo em seguida toda a família segue também para São Paulo tentar a sorte. Lá também encontram a pobreza, mas segundo D. Lindu, nada comparado ao que eles passavam no Nordeste. Já em São Paulo, Lula sofre com o alcoolismo do pai que ainda o obriga a trabalhar e não gosta de vê-lo estudar. Mostra um Luis Inácio inteligente e esforçado na escola a ponto da professora querer criá-lo.

O menino vai crescendo e perde sua casa, que é invadida pela água durante uma forte chuva (numa cena muito mal feita por sinal. As pessoas caminham no chão e ao mesmo tempo estão no teto. Estranhão!). Isso já aconteceu no Brasil? Lula entra para o SENAI e se forma em torneiro mecânico. Nessa profissão ele vai ganhando seu dinheirinho, se casa com uma amiga da adolescência – por quem se mostra muito apaixonado, perde o dedo, fica desempregado, consegue emprego novamente e começa a se envolver com as questões do Sindicato dos Metalúrgicos – coisa que ele nem ligava anteriormente. Não tava nem aí... Impressionante como as coisas mudam!

Engraçado. A gente acha que sabe da história de Lula, mas na verdade só sabia que ele era pobre, que não tem formação escolar, que era torneiro mecânico, que tem um dedo a menos e que virou presidente da República. O filme mostra muito mais que isso. Não sabia que ele tinha perdido sua mulher e filho na hora do parto por falta ou má atendimento de um hospital – isso ainda acontece?, e da forma curiosa que ele conheceu sua atual esposa Marisa.

Boas atuações e pouco tempo pra contar muita coisa. Claro! Se mantesse o ritmo e fosse maior ninguém ia agüentar, só acho que ficaram algumas lacunas, mas nada muuuuuuuuito discrepante. A última cena é Lula sendo levado novamente para a prisão por policiais da ditadura após manifestantes pedirem a liberação dele; depois disso, só informativos e a imagem dele no carro presidencial acenando para o povo no dia da sua posse, já prevendo o alto grau de popularidade que ele viria a alcançar com seu governo. Popularidade esta que vem sendo utilizada para abocanhar público para o cinema e fazer com que, de certa forma, o seu partido ganhe força para concorrer às eleições presidenciais deste ano de 2010. Não tem ninguém idiota! É claro que o filme foi lançado estrategicamente. Lógico! De qualquer forma, vale a pena ser conferido pelos eleitores (ou não) dele e adversários políticos.

Os atores que interpretaram o protagonista nas três fases de sua vida estão de parabéns: Rui Ricardo Diaz, Guilherme Tortolio e Felipe Falanga (que apanhou de verdade numa cena... tadinho!)

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EMBARQUE IMEDIATO

INSANAMENTE DIVERTIDO


Marília Pêra ainda encanta platéias com seu talento digno de Oscar, uma atriz completa que canta , dança e representa sem muito esforço. Seu mais novo personagem no cinema é Justina uma mulher de meia idade solitária e frustrada que desempenha a função de supervisora de aeroporto para conseguir pagar as contas mas o seu grande sonho era ser cantora sonho que fora destruído pela polícia de imigração americana quando descobriu que ela estava de forma ilegal na terra do tio Sam.

Wagner, personagem de Jonathan Haagensen é um funcionário do aeroporto que deseja viver em Nova Iorque e de forma clandestina, tenta embarcar para os Estados Unidos sem passagens, é barrado por Justina que depois resolve ajuda-lo dando aulas de canto para que ele participe de um concurso de jovens talentos a ganhar o prêmio de R$ 10.000,00 e consiga viver seu sonho de morar fora do país. Há também a participação de José Wilker que tem uma agência de modelos gordinhas a qual já está quase que encalhada.

O filme é uma comédia muito divertida com tiradas que fazem dar muita risada do começo ao fim. Trata de sonhos, ilusões e esperanças de uma maneira bem engraçada e com o talento de grandes atores. Eu, sendo você, embarcava imediatamente em uma condução para ver logo esse filme.
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BESOURO


ÚNICO


Num cenário de estreias grandiosas, Besouro é um daqueles filmes que chega de mansinho e vai conquistando aos poucos seu espaço. Com o trailer (veja aqui embaixo) absolutamente perfeito, o filme tinha tudo para ser um dos melhores filmes brasileiros. Acaba sendo, mas não é... ao mesmo tempo... (estou confuso). É um filme brasileiro muito diferente do que se costuma ver; não se fala de dramas sociais, comédias do sexo ou representação da pobreza ou violência.

Besouro é uma lenda cantada nas rodas de capoeira e conta a história de um homem que lutava pelos direitos dos negros numa época em que eles continuavam a ser tratados como escravos mesmo depois da sua libertação. O apelido deste homem vêm do fato de dizer que, assim como o inseto, não devia voar mas “avoa”. A história se passa nos anos 20 no Recôncavo Baiano e narra a trajetória deste homem que, segundo a lenda, tinha o corpo fechado.

O filme é belo em todos os sentidos. Fotografia, direção de arte... e, mesmo sem ser ator profissional, o ator que interpreta o personagem principal (Aílton Carmo) não deixa nada a desejar. Para as cenas de luta foi chamado o mesmo coreógrafo de O Tigre e o Dragão“, “The Matrix” e “Kill Bill”, mas deixa muito a desejar no quesito roteiro. Besouro tinha tudo para ser perfeito pelos motivos citados acima; não é mas chega muito perto. De qualquer forma, é um filme indispensável... onde retrata a vida do negro no passado e mostra o misticismo do camdomblé de uma forma muito bonita e sem preconceitos – o camdomblé na essência. Um filme que emociona... A direção é o primeiro filme de meu colega de profissão João Daniel Tikhomiroff.

Tá sendo difícil para mim escrever sobre esse filme porque mesmo esperando mais do filme, ele é bom. Só sei que você tem que assistir! Assista e volte aqui pra dar sua opinião... E nem invente de baixar ele pela internet ou comprar um pirata por aí... Vamos valorizar o bom cinema nacional. Não é todo dia que temos um filme assim.

Veja aqui o trailer:





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LINHA DE PASSE



NADA MAIS QUE A VERDADE



A parceria bem sucedida de Walter Salles e Daniela Thomas se estreitou ao longo dos anos, os dois se reencontraram em 1998 na direção de O Primeiro Dia, e dez anos depois realizaram mais um filme de longa-metragem, Linha de Passe, que surge e desmistifica, em termos, o conceito de ficção em cinema, possibilitando reconhecer a evolução do cinema brasileiro e comprovar a qualidade cada dia maior de nossas produções. Linha de Passe é a prova do cinema de ficção com essência documental, no qual a veracidade dos fatos, sem falsear o universo representado, aproxima o espectador da realidade anunciada, e provoca um envolvimento mais estreito num reconhecimento pontual do real.

Assim como no futebol, onde a “linha de passe” configura a troca da bola entre jogadores de um mesmo time sem a interceptação do adversário, afim de um objetivo comum, no filme, esse jogo se traduz na busca dos personagens por objetivos de vida e suas razões. Sandra Coverloni vive Cleuza, mãe devotada de quatro filhos e à espera do quinto, uma mulher lutadora, mas sofredora, que vive em função dos filhos (e de ter filhos), Denis, Dario, Dinho e Reginaldo. Os personagens principais em Linha de Passe são guiados através de um eixo que não nos possibilita discernir se algum deles é mais significativo que outro, configurando igualmente a importância de cada um deles na trama, assim como os jogadores em um jogo de futebol. Eles reinventam as suas próprias vidas para fugir dos seus possíveis destinos, na busca pelas suas identidades. Os personagens possuem movimentos fluidos e seguem num mesmo sentido, dando essa espécie de uniformidade entre eles, que apesar dos perfis diferentes, possuem uma mesma sintonia. Além disso, as seqüências são muito bem construídas e não dão margem à dúvida em relação à veracidade delas.

A tendência brasileira de realizar filmes com essa perspectiva se trata de uma afirmação da cinematografia nacional, explorando a originalidade no tratamento dos temas abordados, e estabelecendo um diálogo com elementos nacionais, com intenção de revelar os anseios do povo. O retrato da grande metrópole, a captação do movimento da cidade e na cidade pela câmera, narrando misérias, dramas e contradições da sociedade, concluem essa idéia de posicionar os personagens dentro de uma perspectiva do real. Um ponto chave, importante na construção do filme é essa câmera em constante movimento, sem contar a montagem bem realizada, sem buracos e sem falhas graves que venham a prejudicar a sincronia dos acontecimentos. Mas o importante mesmo é saber que a grandiosidade de uma obra não se configura pela norma ou padrão estético pré-estabelecido, e decerto que a simplicidade e a originalidade não impedem o reconhecimento da beleza de um filme como Linha de Passe que traduz com detalhes a “feiúra” da realidade.


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OS NORMAIS 2



DE VOLTA. E SEM PALAVRÕES.

Sou meio suspeito pra falar desse filme. Aliás, muito suspeito! Sou fã da série que passava na TV Globo e acabou em 2003, para a tristeza de muitos fãs. Para encerrar a série foi feito OS NORMAIS – O FILME, e agora, OS NORMAIS 2 – A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS veio pra entrar para a história como a maior estréia do cinema brasileiro.

Dessa vez, cansados da rotina de 13 anos de noivado, e da falta de sexo consequentemente, Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) decidem procurar uma mulher para fazer ménage-à-trois (vulgo sexo a três) – e começa a busca incessante.

A primeira tentativa é uma prima (Drica Morais) de Vani, mas Rui lhe joga uma pedra de quartzo na testa e ela vai parar no hospital. Depois vão em busca de uma moça bonita (Daniele Suzuki) que “virou bi” e aprontam mais confusões – Vani fuma um troço e fica doidona e depois descobrem “à força” que a moça não era bissexual e sim, bicampeã de jiu-jitsu. Tentam mais uma vez alguém para o sexo a três e encontram uma mulher louca pra topar (Claudia Raia), mas acabam entalados na banheira de hidromassagem cheia de espuma e sendo salvos pelo vizinho.

Quase desistindo dessa aventura, Rui e Vani encontram uma francesa (Mayana Neiva) que quer somente contratar novos empregados, mas como eles fingem entender francês, entendem tudo errado e acham que ela está querendo transar com eles. Vani acaba na cama com um bicho preguiça – acreditem! Novamente quase desistindo, eis que surge uma prostituta (Aline Moraes) que lhes dá uns comprimidos que os fazem dormir e rouba tudo da casa de Rui. Depois de toda essa confusão, os dois brigam e decidem acabar com o noivado, mas para a surpresa de muitos, o casal mais normal de todos os tempos se casam.

Acho genial a forma que Alexandre Machado e Fernanda Young conduzem o roteiro e a história – o filme todo acontece em poucas horas e também é impressionante a forma que Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres conduzem os personagens... é uma entrega total. Isso é um verdadeiro “quarteto fantástico”.

Tudo acontece muito rápido e dinâmico; às vezes nem dá tempo rir de uma piada e já vem uma expressão engraçada ou outra piada em cima. Incrível! Mas, para mim, o filme só não é perfeito por causa de uma piadinha com o povo baiano – rs.

Uma dica: quem é conservador, é melhor não ver. E que venha o 3!

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