Abaixo, a letra da ‘música-tema’ do filme (podem cantar! rsrs):
Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo.
Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder".
Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem,
selvagem;
selvagem.
Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus
Olhos castanhos
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo,
Temos nosso próprio tempo,
Temos nosso próprio tempo.
Não tenho medo do escuro,
Mas deixe as luzes acesas agora,
O que foi escondido é o que se escondeu,
E o que foi prometido,
Ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens,
tão jovens,
tão jovens.
Estou meio triste por não poder falar bem deste filme. Infelizmente muito se falou sobre ele e Assalto ao Banco Central simplesmente não cumpre o que promete. Até percebe-se o esforço em se fazer um bom filme, mas ao tentar ser de tudo, estragou tudo e o que poderia ser uma maravilhosa trama, quase acaba se tornando um desastre.
Com inspiração num fato real, que aconteceu em agosto de 2005 na cidade de Fortaleza-CE, um bando cavou por três meses um túnel que atravessou um quarteirão e foi parar em baixo do cofre do Banco Central, levando cerca de R$164 milhões (nada menos que 3 toneladas de dinheiro). O fato se tornou o assalto a banco do século e é realmente digno de cinema.
Apesar de tuuuuuuuuudo isso e da trilha sonora ‘nada a ver’, Assalto ao Banco Central não chega a ser insuportável como Federal. Ficou uma missão para outro diretor. Em minha opinião, a história foi desperdiçada e espero que um novo filme baseado neste fato seja produzido em breve.
p.s.: Estou realmente triste em não poder elogiar este filme nacional :(

O tipo de comédia que brasileiro sabe fazer. ‘Cilada.com’, filme que tem Bruno Mazzeo como roteirista/protagonista e como diretor, José Alvarenga Jr. (de Os Normais, Divã, dentre outros) veio para divertir o público com um humor ácido e ousado (no sentido sexual da palavra). Este filme é uma adaptação da série ‘Cilada’ que estreou em 2005 no canal Multishow e virou quadro no Fantástico – ambos da Rede Globo.
Cilada.com é uma comédia bastante atual, que utiliza-se dessa profusão de vídeos no youtube que produzem novos famosos a cada semana para fazer piada e (por que não?) até mesmo nos fazer refletir sobre esse ‘problema’. A cada minuto são postados cerca 48 horas de vídeos novos no youtube e 3 bilhões de vídeos são vistos diariamente, segundo dados deste ano. Um desses vídeos que foi ‘parar’ na rede foi o de Bruno. Neste vídeo, mostra ele transando com sua namorada; uma transa que durou cerca de 10 segundos (segundo ele foram 12), expondo para todos o seu problema de ejaculação precoce. O vídeo foi postado pela sua (ex)namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme) quando ela o pegou transando com outra mulher no casamento de uma amiga. Ela decidiu também humilhá-lo, mas em escala muito maior.
Enquanto o vídeo vai passando dos 300 mil acessos, Bruno vai ficando mais famoso e passando por outras ciladas durante todo o decorrer da história. Primeiro ele decide gravar depoimentos de suas ex-namoradas falando dele, só que aí não deu muito certo quando ele percebeu que não teria muitas histórias boas para serem expostas. Depois ele teve a grande sacada de gravar uma ‘transa perfeita’ sua para também colocar na internet e limpar sua imagem.
Mas a sequência também reserva alguns minutinhos para passar uma mensagemzinha de amor e emocionar o público. Pelo menos eu, depois de tanto rir, consegui me emocionar também. Prova de que o roteiro está imexível, conseguindo contrapontos bem idealizados difíceis de conseguir.
Com diversas participações especiais – ao todo são 73, o filme traz cenas hilárias como a do pai de santo interpretado por Luís Miranda, o cineasta Marconha interpretado por Sérgio Loroza e a bafenta colega de trabalho interpretada por Carol Castro. Cenas para gargalhadas altas.
Por também tratar de problemas sexuais, poderia até arriscar em dizer que Cilada.com é a versão masculina do excelente ‘De pernas pro ar’ com Ingrid Guimarães e que fez o maior sucesso no começo deste ano. Não me considero moralista, mas fiquei preocupado com minha prima de 16 anos, que estava vendo o filme comigo, assistindo algumas cenas do filme. Afinal, eu a vi pequena e… enfim, foi difícil ver minha prima rindo de certas coisas…meio pesadas, eu diria. Admito. Tá! Levem quem quiser, mas respeitem a classificação indicativa, pelo menos. rs
Cilada.com tem todos os atributos para ser visto nos cinemas. Divertido, inteligente merece fazer sucesso, mesmo espremido entre o último filme da saga Harry Potter e Transformers 3. Vá assistir. Não é uma cilada!
Para reflexão: Eu, como publicitário, fico me perguntando porque a minha profissão é tão utilizada no cinema brasileiro. Todo mundo já sabe o que é um briefing?
Para reflexão 2: Muito cuidado ao postar algo na internet. Depois de postado, já foi!
ELE SÓ QUERIA VOAR
Com base no livro ‘VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso’ de Mariana Caltabiano, o filme se inspira na história real de Marcelo da Rocha – um cara que ficou conhecido por aplicar vários golpes. O mais famoso destes golpes foi quando ele se passou por Henrique Constantino - filho do dono de uma compainha aérea durante o Carnaval de Recife e foi entrevistado ao vivo por Amaury Junior. (Veja a famosa e real entrevista clicando aqui.
Desde criança, Marcelo tem o sonho de ser como seu pai – ser piloto de avião. Na escola, tinha a mania de imitar os colegas e em casa não tinha uma relação muito boa com sua mãe (interpretada por Gisele Fróes). Com o desejo de entrar para a escola de pilotos, ele sai de casa e começa a trabalhar num aeroclube. Um ano depois, ele se envolve com o tráfico de drogas e passa a se chamar Carrera – o mais famoso piloto das pistas de pouso clandestinas do Brasil e do Paraguai. Preso pela polícia, solto e ‘demitido’ do tráfico, Marcelo volta para casa e começa a procurar um novo personagem para ‘ser’.
Carrera, Henrique... Marcelo consegue mentir para os outros e até para si mesmo com grande facilidade. Apesar de ter os artifícios para isso, a ideia de Vips não é narrar um grande drama psicológico e sim, narrar a vida de um farsante. Os roteiristas Bráulio Mantovani (Tropa de Elite e Tropa de Elite 2) e Thiago Dottori fizeram um sensacional trabalho juntamente com Gustavo Giani (montagem) dando o dinamismo que o filme precisa e que representa a euforia que o personagem carrega a todo momento. Além disso, o roteiro faz de tudo para manter certas revelações para o final e, mesmo assim, nem tudo é explicado. Mas também não se sente falta da explicação de cada detalhe.
Marcelo é interpretado por Wagner Moura que, definitivamente, veio mostrar que versatilidade é um requisito essencial para o sucesso de um ator. Fora a estranha peruca que ele usa na fase jovial do personagem, este papel é perfeito pra Wagner, já que Marcelo criava e era várias pessoas. Imaginação? Loucura ou somente picaretagem? Ele só queria voar.

COR DE ALGUMA COISA
No subúrbio de Recife é contada três bizarras e possíveis histórias paralelas. Lígia (Leona Cavalli) dorme e trabalha num bar e não suporta mais sua vidinha, onde os homens a bolinam durante seu expediente. Kika (Dira Paes) é uma religiosa casada com Wellington (Chico Diaz) que, enquanto respeita a moralidade de sua esposa, tem uma amante. Dunga (Matheus Nachtergaele) é um gay que faz de tudo no decadente Hotel Texas e é apaixonado por Wellington. O filme não tem um protagonista, mas Matheus Nachtergaele, pra variar, rouba a cena e é a partir dele que os ‘microcontos’ começam a se interligar.
Até as histórias se interligarem, o longa parece episódios do extinto ‘Brava Gente’ da Rede Globo e não foi feito para agradar. A classificação indicativa é de 18 anos, mas não é só pela cena que Leona levanta o vestido e mostra a vagina para Isaac (Jonas Bloch). Além disso, o filme incomoda por mostrar cenas comuns para alguns, mas que para outros é nojento, como na sequência em que se mostra todo o processo de matança de um boi num açougue e mostra Chico Diaz numa cena simples e memorável ao desossar pedaços do boi sem o mínimo de higiene.
É preciso persistência para vê-lo até o fim, até mesmo pelo ritmo do filme, mas tenho certeza que ao final, você vai perceber que foi até bom tê-lo visto.

E VIRADO PRA LUA
Ingrid Guimarães e o diretor Roberto Santucci fizeram uma bela parceria. O filme foi feito para rir e cumpre esta função com grande êxito. De pernas pro ar é uma máquina de fazer rir.
Trabalhando feito louca no setor de marketing de uma fábrica de brinquedos, surge a oportunidade de crescimento e, por uma confusão do recepcionista de seu prédio, Alice (Ingrid Guimarães) troca os ‘brinquedinhos’ que utilizaria na sua apresentação pela vaga por uns outros ‘brinquedinhos’ de sex shop que pertencia à outro apartamento de seu prédio. Ela passa a maior vergonha na reunião com os presidentes da empresa e não só não consegue a vaga como é demitida e vai brigar com a dona dos objetos - Marcela (Maria Paula). Chega em casa e quando liga a secretária eletrônica tem um recado de seu marido João (Bruno Garcia) pedindo um tempo e reclamando que ela não tempo para ele. Perdida e sem saber o que fazer, ela resolve pedir desculpas a Marcela e as duas começam aí uma grande parceria.
Marcela é dona de um fracassado sex shop e topa ser sócia de Alice que decide disponibilizar os ‘sex toys’ on-line. O sucesso é muito grande e elas começam a selecionar consultoras por todo o Brasil para realizar o serviço de delivery. Ao mesmo tempo, Alice tenta voltar pro seu marido, mas cai novamente no mesmo ‘erro’ de trabalhar demais e ainda esconde dele qual é o seu novo trabalho.
O filme dá uma quebrada no meio que quase desanima, mas depois vem alguma cenas como a que Alice esquece de tirar a calcinha que vibra quando ouve som e vai pro jogo de futebol de seu filho. É de rir exageradamente! Isso é só pra citar uma de muitas cenas desse filme que, com certeza entrou para a minha lista de comédias favoritas.
Com certeza merece todo o sucesso que está fez nos cinemas e tem que ser visto até o último crédito subir, porque durante os créditos ainda temos muitas cenas excluídas do filme, mas que são também muuuuuuuito engraçadas.

O BICHO PEGOU
Um daqueles filmes que precisa ser visto. Um daqueles filmes que merecem um local reservado na estante. “Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro”, é uma obra densa que expõe os problemas de uma sociedade desigual e corrupta de forma clara e objetiva.
Logo no início se fala que o filme é uma obra de ficção e que qualquer semelhança é mera coincidência (algo assim). Mas... para que dizer isso? Depois de ver o filme, a impressão que se tem é: “Poxa! É assim mesmo...” ou “O filme retrata muito bem a realidade brasileira”. Sendo essa a intenção ou não, o que interessa neste segundo filme é que não há a carnificina gratuita do primeiro filme e, além do elenco primoroso, o roteiro é bem mais inteligente e recheado.
Agora, Capitão Nascimento (Wagner Moura) está 10 anos mais velho e é Comandante Geral do BOPE. Depois de uma rebelião em Bangu I, ele é considerado um herói pela população “porque bandido bom é bandido morto” e é promovido a Sub Secretário de Segurança do Estado. Na secretaria ele faz o BOPE crescer e a quase exterminar o tráfico nas favelas. Só que pra alguém ganhar, alguém tem que perder. E é nessa lógica que os policiais corruptos começam a explorar as favelas de outra forma com a ajuda dos políticos que se aproveitam para conquistar votos da população.
André Matos também tem um papel muito interessante no filme que vale a pena ressaltar; ele interpreta um apresentador de TV muito caricato, que para quem é baiano (principalmente) sabe muito bem quais foram as inspirações.
Tropa de Elite 2 é para ser visto sem piscar os olhos com seu ritmo empolgante e diversas surpresas. Um filme inteligente que, na minha opinião, merecia virar uma série. É uma continuação que supera o primeiro filme em todos os sentidos – coisa rara!

HAN?
Sem burburinhos a cerca do filme e com Selton Melo no elenco fui ver este filme esperando ver algo do tipo Tropa de Elite, mas o que vi foi um filme sem história, sem roteiro, sem nada... Sinceramente não sei como as pessoas da sala da pré-estreia não fugiram correndo. Fui um dos que resistiram até o final na esperança de algo bom acontecer, mas o final surpreende ainda mais. Chega a ser ridículo!
Demora-se muito até se explicar e entender que o filme trata de um bando de policiais federais querendo combater o tráfico de drogas, em busca do traficante Béque Batista, interpretado por Eduardo Dussek. Cenas longas e silenciosas, diálogos sem criatividade e momentos clichês, Federal tem até ator internacional... Michael Madsen – que já fez filme com Tarantino, aparece para dar um ar Fucker and Sucker (quadro do Casseta e Planeta) ao filme.
Mesmo, segundo a produção, o filme ter sido finalizado em 2006 – antes da concepção de Tropa de Elite, algumas comparações são inevitáveis. Quanto mais agora que Federal e Tropa de Elite 2 foram lançados praticamente juntos. Confesso que fico triste em ter que falar assim de um filme brasileiro. Quem me conhece sabe que isso quase nunca acontece, mas enfim...

Fui no embalo; assim como milhões de pessoas que estão indo ao cinema ver este filme. Agora pego a ponga no sucesso dele pra escrever uma nova crítica aqui para o SÉTIMA OPINIÃO. Infelizmente, não é das melhores.
É complicado falar de um filme que mexe com as crenças das pessoas. É complicado falar de um filme que tem devotos e foi tido como uma mega produção brasileira. Nosso Lar teve o orçamento estimado em 20 milhões de reais e é a mais cara produção cinematográfica da história do Brasil. Qualquer crítica negativa que eu faça, pode parecer anti-cética, mas a verdade (se é que a verdade existe) é que o filme é decepcionante para quem quer vê-lo como filme.
Baseado na obra literária de mesmo nome e psicografada do espírito André Luiz ao médium Chico Xavier em 1944, o filme conta a história desse espírito em sua vida pós-morte. André era um médico que tinha uma vida de excessos (apesar de pouco mostrar isso). Pai de duas crianças era aquele tipo de homem frio e sério que, certo dia morre e vai parar numa espécie de purgatório chamado de Umbral. Suplicando ajuda a uns espíritos de luz que, de vez em quando aparece neste lugar para resgatar almas, André é levado até o Nosso Lar – uma cidade futurista (à la Niemeyer) onde os espíritos vivem normalmente trabalhando...comendo...salvando vidas...reencarnando... O local foi todo montado em computação gráfica – quando se tem as visões aéreas – pelos responsáveis por criações em Babel e Watchmen. Se a intenção foi tornar real, passou longe. É totalmente perceptível a utilização dos efeitos. Nosso Lar não é o céu; é uma espécie de sociedade perfeita, onde todas as peças funcionam, inclusive os governantes. As pessoas tem uma vida absolutamente normal.
Gosto de ir ao cinema para chorar, rir... ter emoções. Nosso Lar, não me fez mexer um músculo do meu rosto. Cansativo e redundante (conseqüênciaXcausa e vice e versa), o roteiro se resume em ficar explicando didaticamente a doutrina espírita e, mesmo assim, por conta do excesso de didatismo, o filme acaba se tornando tão chato que falha até em tentar convencer aos que não acreditam em vida após a morte, mesmo que não tenha sido essa a intenção do filme. Han ran... Senta lá!

INTRIGANTE
Interpretado por três diferentes atores para diferentes épocas de sua vida, Matheus Souza na infância, Ângelo Antônio na juventude e Nelson Xavier, este último realmente impressiona pelas características físicas já semelhantes e fica pra ele todo o mérito do filme. Nelson que, muitas vezes não é reconhecido como deveria, dá um show de interpretação. Chico Xavier mostra toda a história de vida deste médium através de milhares de centenas de flashbacks. Isso porque o filme é concentrado num debate que aconteceu em 1971 num programa chamado Pinga Fogo que era ao vivo e deveria durar 60 minutos, mas acabou durando cerca de 3 horas. Nesse programa ele foi sabatinado por pessoas que queriam “desmascará-lo” e até psicografou ao vivo...
Esta cinebiografia foi contada de forma fria e algumas vezes cômica – ao ver suas cenas com Emmanoel – seu guia espiritual, a ponto de só emocionar em dois momentos que nem pertencem à Chico; uma quando Cristiane Torloni desabafa sobre a morte de seu filho com a mãe do “assassino” e quando Tony Ramos fala que é ateu, mas que acredita na carta de seu filho psicografada por Chico – mesmo assim são cenas rápidas, mas que não prejudicam o filme. Pelo contrário, talvez tenha sido esse o maior desafio do diretor; fazer com o filme não virasse um melodrama como Dois Filhos de Francisco ou Lula.
Sucesso de público garantido, tanto que ficou algumas semanas no topo das bilheterias nacionais e um ótimo filme do começo ao fim (literalmente), já que pela primeira vez vi o público da sala de cinema ficar até a última letrinha dos créditos finais. Esse fato aconteceu porque cenas reais de Chico Xavier no Pinga Fogo são passadas enquanto passa os créditos do filme.
Detalhe: Esse texto não foi psicografado.

A primeira coisa que me impressionou foi ver que todos os trailers que antecederam ao filme eram de filmes brasileiros e, quando começou o filme, tive a segunda surpresa: a questão de dizer que não houve dinheiro público envolvido na realização do filme. Não precisava dizer isso; bastava divulgar na imprensa... (depois dizem que não houve interesses políticos por trás do lançamento desse filme. Mas lá no finalzinho desse texto eu discorro mais sobre essa discussão).
Sem dúvida Lula, o filho do Brasil foi o lançamento mais aguardado (por sua polêmica) do cinema nacional este ano e também não há dúvidas que Lula teve e tem uma ótima história a ser contada. Nada muito diferente de milhões de nordestinos que vão em busca de uma vida melhor em São Paulo. Começa com aquele clima meio Vidas Secas e 2 Filhos de Francisco no sertão nordestino e mostra o pai de Lula indo embora pra São Paulo, um pouco antes dele nascer. Mostra-se um pouco das dificuldades sofridas por D. Lindu – mãe de Lula interpretada por Glória Pires e, logo em seguida toda a família segue também para São Paulo tentar a sorte. Lá também encontram a pobreza, mas segundo D. Lindu, nada comparado ao que eles passavam no Nordeste. Já em São Paulo, Lula sofre com o alcoolismo do pai que ainda o obriga a trabalhar e não gosta de vê-lo estudar. Mostra um Luis Inácio inteligente e esforçado na escola a ponto da professora querer criá-lo.
O menino vai crescendo e perde sua casa, que é invadida pela água durante uma forte chuva (numa cena muito mal feita por sinal. As pessoas caminham no chão e ao mesmo tempo estão no teto. Estranhão!). Isso já aconteceu no Brasil? Lula entra para o SENAI e se forma em torneiro mecânico. Nessa profissão ele vai ganhando seu dinheirinho, se casa com uma amiga da adolescência – por quem se mostra muito apaixonado, perde o dedo, fica desempregado, consegue emprego novamente e começa a se envolver com as questões do Sindicato dos Metalúrgicos – coisa que ele nem ligava anteriormente. Não tava nem aí... Impressionante como as coisas mudam!
Engraçado. A gente acha que sabe da história de Lula, mas na verdade só sabia que ele era pobre, que não tem formação escolar, que era torneiro mecânico, que tem um dedo a menos e que virou presidente da República. O filme mostra muito mais que isso. Não sabia que ele tinha perdido sua mulher e filho na hora do parto por falta ou má atendimento de um hospital – isso ainda acontece?, e da forma curiosa que ele conheceu sua atual esposa Marisa.
Boas atuações e pouco tempo pra contar muita coisa. Claro! Se mantesse o ritmo e fosse maior ninguém ia agüentar, só acho que ficaram algumas lacunas, mas nada muuuuuuuuito discrepante. A última cena é Lula sendo levado novamente para a prisão por policiais da ditadura após manifestantes pedirem a liberação dele; depois disso, só informativos e a imagem dele no carro presidencial acenando para o povo no dia da sua posse, já prevendo o alto grau de popularidade que ele viria a alcançar com seu governo. Popularidade esta que vem sendo utilizada para abocanhar público para o cinema e fazer com que, de certa forma, o seu partido ganhe força para concorrer às eleições presidenciais deste ano de 2010. Não tem ninguém idiota! É claro que o filme foi lançado estrategicamente. Lógico! De qualquer forma, vale a pena ser conferido pelos eleitores (ou não) dele e adversários políticos.
Os atores que interpretaram o protagonista nas três fases de sua vida estão de parabéns: Rui Ricardo Diaz, Guilherme Tortolio e Felipe Falanga (que apanhou de verdade numa cena... tadinho!)
INSANAMENTE DIVERTIDOWagner, personagem de Jonathan Haagensen é um funcionário do aeroporto que deseja viver em Nova Iorque e de forma clandestina, tenta embarcar para os Estados Unidos sem passagens, é barrado por Justina que depois resolve ajuda-lo dando aulas de canto para que ele participe de um concurso de jovens talentos a ganhar o prêmio de R$ 10.000,00 e consiga viver seu sonho de morar fora do país. Há também a participação de José Wilker que tem uma agência de modelos gordinhas a qual já está quase que encalhada.
O filme é uma comédia muito divertida com tiradas que fazem dar muita risada do começo ao fim. Trata de sonhos, ilusões e esperanças de uma maneira bem engraçada e com o talento de grandes atores. Eu, sendo você, embarcava imediatamente em uma condução para ver logo esse filme.

ÚNICO
Num cenário de estreias grandiosas, Besouro é um daqueles filmes que chega de mansinho e vai conquistando aos poucos seu espaço. Com o trailer (veja aqui embaixo) absolutamente perfeito, o filme tinha tudo para ser um dos melhores filmes brasileiros. Acaba sendo, mas não é... ao mesmo tempo... (estou confuso). É um filme brasileiro muito diferente do que se costuma ver; não se fala de dramas sociais, comédias do sexo ou representação da pobreza ou violência.
Besouro é uma lenda cantada nas rodas de capoeira e conta a história de um homem que lutava pelos direitos dos negros numa época em que eles continuavam a ser tratados como escravos mesmo depois da sua libertação. O apelido deste homem vêm do fato de dizer que, assim como o inseto, não devia voar mas “avoa”. A história se passa nos anos 20 no Recôncavo Baiano e narra a trajetória deste homem que, segundo a lenda, tinha o corpo fechado.
O filme é belo em todos os sentidos. Fotografia, direção de arte... e, mesmo sem ser ator profissional, o ator que interpreta o personagem principal (Aílton Carmo) não deixa nada a desejar. Para as cenas de luta foi chamado o mesmo coreógrafo de “O Tigre e o Dragão“, “The Matrix” e “Kill Bill”, mas deixa muito a desejar no quesito roteiro. Besouro tinha tudo para ser perfeito pelos motivos citados acima; não é mas chega muito perto. De qualquer forma, é um filme indispensável... onde retrata a vida do negro no passado e mostra o misticismo do camdomblé de uma forma muito bonita e sem preconceitos – o camdomblé na essência. Um filme que emociona... A direção é o primeiro filme de meu colega de profissão João Daniel Tikhomiroff.
Tá sendo difícil para mim escrever sobre esse filme porque mesmo esperando mais do filme, ele é bom. Só sei que você tem que assistir! Assista e volte aqui pra dar sua opinião... E nem invente de baixar ele pela internet ou comprar um pirata por aí... Vamos valorizar o bom cinema nacional. Não é todo dia que temos um filme assim.

Sou meio suspeito pra falar desse filme. Aliás, muito suspeito! Sou fã da série que passava na TV Globo e acabou em 2003, para a tristeza de muitos fãs. Para encerrar a série foi feito OS NORMAIS – O FILME, e agora, OS NORMAIS 2 – A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS veio pra entrar para a história como a maior estréia do cinema brasileiro.
Dessa vez, cansados da rotina de 13 anos de noivado, e da falta de sexo consequentemente, Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) decidem procurar uma mulher para fazer ménage-à-trois (vulgo sexo a três) – e começa a busca incessante.
A primeira tentativa é uma prima (Drica Morais) de Vani, mas Rui lhe joga uma pedra de quartzo na testa e ela vai parar no hospital. Depois vão em busca de uma moça bonita (Daniele Suzuki) que “virou bi” e aprontam mais confusões – Vani fuma um troço e fica doidona e depois descobrem “à força” que a moça não era bissexual e sim, bicampeã de jiu-jitsu. Tentam mais uma vez alguém para o sexo a três e encontram uma mulher louca pra topar (Claudia Raia), mas acabam entalados na banheira de hidromassagem cheia de espuma e sendo salvos pelo vizinho.
Quase desistindo dessa aventura, Rui e Vani encontram uma francesa (Mayana Neiva) que quer somente contratar novos empregados, mas como eles fingem entender francês, entendem tudo errado e acham que ela está querendo transar com eles. Vani acaba na cama com um bicho preguiça – acreditem! Novamente quase desistindo, eis que surge uma prostituta (Aline Moraes) que lhes dá uns comprimidos que os fazem dormir e rouba tudo da casa de Rui. Depois de toda essa confusão, os dois brigam e decidem acabar com o noivado, mas para a surpresa de muitos, o casal mais normal de todos os tempos se casam.
Acho genial a forma que Alexandre Machado e Fernanda Young conduzem o roteiro e a história – o filme todo acontece em poucas horas e também é impressionante a forma que Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres conduzem os personagens... é uma entrega total. Isso é um verdadeiro “quarteto fantástico”.
Tudo acontece muito rápido e dinâmico; às vezes nem dá tempo rir de uma piada e já vem uma expressão engraçada ou outra piada
Uma dica: quem é conservador, é melhor não ver. E que venha o 3!






