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CLUBE DE COMPRAS DALLAS


UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA

30 dias. Ao descobrir que tem o vírus HIV, esse é o tempo que resta de vida para o senhor Ron Woodroof (Matthew McConaughey / ‘Magic Mike’ e ‘Como perder um homem em 10 dias’) – um eletricista/cowboy durão, cheio de preconceitos, mas que sempre soube enfrentar seus problemas de forma esperta, mesmo que essa forma esperta seja ilegal.

Clube de Compras Dallas é um drama que retrata o preconceito com os portadores do vírus HIV na década de 80 e a indústria farmacêutica bem no começo da epidemia, quando a doença ainda era muito ligada à homossexualidade.

Baseado numa história real, Woodroof, heterossexual, ao lutar pela sua sobrevivência – ‘se virando’ como sempre fez, começa a pesquisar e experimentar outros tipos de drogas que não são comercializadas nos EUA. Percebendo que funcionam melhor do que as testadas e impostas pela legislação norte-americana, ele aí encontra um nicho de mercado promissor para ganhar dinheiro e, trabalhando com o travesti, também com HIV, Rayon (Jared Leto / ‘Clube da Luta’, ‘O senhor das armas’ e vocalista da banda 30 seconds to Mars) começa a contrabandear e vender remédios. Meio que involutariamente torna-se um ativista, mesmo sem nunca demonstrar seu lado humano, frágil ou carinhoso – se é que existe.

Matthew McConaughey provou que realmente está compromissado com papéis viscerais e emagreceu mais de 20 quilos para viver o personagem. Mesmo achando essa fórmula de chamar a atenção com mudanças profundas no corpo cansativa, Matthew consegue realmente ser Woodroof. Convence, mas acho que não leva o Oscar de melhor ator. A atriz Jennifer Garner (‘Elektra’) interpreta a Dr. Eve Saks sem grande destaque e Jared Leto concorre ao Oscar de Melhor ator coadjuvante – torcendo por ele.

A direção de Jean-Marc Vallée deixa o filme, às vezes, numa mesmice e com cenas que poderiam ser, sem dúvida, eliminadas. Este é o único ponto fraco do filme. Com seus personagens o tempo todo à beira do abismo, Clube de Compras Dallas é uma história interessante e necessária para os tempos atuais de ‘despreocupação’ com o vírus HIV. Vale ressaltar que a cura para esta doença ainda não existe e que, apesar do controle com remédios, a AIDS mata.   


Ron Woodroof morreu em 1992 no Texas.
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PHILOMENA


FAILOMINA

Filmes baseados em fatos reais já ganham o meu respeito só por serem baseados em fatos reais; mesmo porque uma história não viraria roteiro de cinema se não fosse bom. Meio road movie que me lembrou um pouco ‘Cartas para Julieta’, Philomena conta a história de uma senhora que 50 anos depois de ter seu filho vendido por freiras irlandesas, decide procurá-lo com a ajuda de um jornalista insensível e rude.

Apesar de Philomena ser um drama, o filme não é um filme de chorar. O diretor Stephen Frears (A Rainha) soube conduzir a história, passeando por diversos temas polêmicos sem aprofundamentos e deixando o julgamento para o espectador. E funciona! O foco principal do filme deixa de ser a busca pelo filho e passa a ser a relação tortuosa e engraçada entre uma senhorinha ingênua e o jornalista cheio de interesses pessoais/jornalísticos no fato. Com interesses e opiniões sempre distintas, o longa é uma divertida história de visões opostas e aprendizado.

O filme fala superficialmente sobre a homossexualidade, além de mostrar o poder e a frieza da igreja católica nos anos 50. Philomena é interpretada docemente por Judy Dench (007 - Operação Skyfal) e o jornalista Martin é interpretado por Steve Coogan que também é produtor e um dos roteiritas do filme. Judy Dench concorre ao Oscar de melhor atriz numa disputa acirradíssima e, por isso, não me arrisco a dizer que está ganho. Mas estou torcendo muito por ela.
Vejam Philomena. A emoção deve ficar em você e os questionamentos devem ir para o mundo.
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AMOR



Pela primeira vez vou fazer isso aqui. Recomendar um filme que não consegui terminar de assistir. Desculpa, mas ainda não evolui o bastante para lidar com os dramas que Amor aborda. Dei pause e entrei em prantos.

Feito para sentir, Amor é um filme necessário. Vejam. Vejam mesmo. 

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O ARTISTA



Em tempos em que a tecnologia está, muitas vezes, atropelando a história de um filme, O Artista vem para comprovar a teoria de que menos é mais.

Em preto e branco e com 99,99% de mudez, o filme é um misto de sensações. Uma experiência única. Afinal, quando é que você ia ver um filme mudo no cinema em pleno ano de 2012? Como se não bastasse, O Artista é uma grande homenagem ao cinema; do jeitinho que a Academia do Oscar gosta, por isso ganhou, entre outros quatro, o Oscar de Melhor filme este ano.

O Artista conta a história de George Valentin (Jean Dujardin); um ator de cinema mudo hiper famoso. Cheio de caretas, ele é a grande estrela de um estúdio de Hollywood e o colírio das menininhas, principalmente da jovem fã Peppy Miller (Bérénice Bejo). Porém, com o surgimento do cinema falado e o orgulho de George, a grande estrela vai perdendo notoriedade ao mesmo tempo em que a bela Peppy Miller se destaca cada vez mais como grande novidade do cinema. Assim como em Cantando na Chuva, o filme mostra bem esta transição do cinema mudo para o falado e as consequências disso. Para se ter uma noção, segundo o livro The Hollywood Story, em 1928, dos 294 filmes feitos em Hollywood, 220 eram mudos; no ano seguinte, de 290, apenas 28 eram sem voz.

George Valentin vai caindo no ostracismo sempre acompanhado de seu motorista e de seu cãozinho e a decadência é inevitável. Um grande drama regado a poucos diálogos e uma maravilhosa trilha sonora que embala e dinamiza todo filme. Perfeito! Uma ótima dica, não só para os nostálgicos admiradores da sétima arte, mas também para quem busca algo diferente e, porque não dizer, criativo e inovador.
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A INVENÇÃO DE HUGO CABRET


Hugo (Asa Butterfield) é um garoto órfão que vive no teto e nas paredes da grandiosa estação de trem de Paris – a Gare du Nord – observando as pessoas e acertando os ponteiros dos relógios do local; função que aprendeu com o seu tio quando seu amado pai – interpretado por Jude Law – morreu num incêndio. Para sobreviver, faz pequenos furtos sendo sempre procurado pelo policial da estação e, para consertar um monótomo que escreve (espécie de robozinho à corda) ele fica sempre de olho nos cochilos do dono de uma barraca de brinquedos para poder furtar peças e ferramentas. Hugo acredita que consertando o monótomo receberá uma mensagem de seu pai.
Num desses furtos na barraca de brinquedos, o dono da barraca, Georges Meliès interpretado por Ben Kingsley, o pega no flagra e o faz devolver tudo que havia pegado e um caderninho do seu pai que ele guardava com algumas orientações para o conserto do boneco. Muito triste, Hugo tenta de todas as formas reaver o caderninho e daí começa a ficar amigo da sobrinha do Sr. Meliès – Isabelle (Chloë Grace Moretz), começando assim uma série de aventuras e descobertas que iriam ‘consertar’ a vida do Sr. Meliès. O personagem Sr. Meliès é real. Ele foi pioneiro na arte dos efeitos especiais e foi o criador de mais de 500 filmes, dando ao cinema à ideia de realizador de sonhos. Nesse aspecto o filme é brilhante ao funcionar como uma aula de cinema.
Com o roteiro bobinho (digamos infantil), A invenção de Hugo Cabret parece ser a realização de um sonho para Scorcese; um filme grandioso reunindo a qualidade e a tecnologia do 3D para falar e contrastar com a história da invenção do cinema e sua simplicidade. Um filme melancólico como a Academia de Cinema gosta. Por isso, teve o maior número de indicações ao Oscar, ganhando 05 estatuetas dos 11 que concorreu. Por conta do autômato e por ser interpretado por uma criança, a história me lembrou um pouco Inteligência Artificial, mas sem a carga dramática que tem a história de Spielberg.
Não. Aquele filme emocionante com aquela grande história que alguns críticos estão falando por aí não existe. Sim; estão fazendo muita firula neste novo filme de Scorcese. Apesar de toda a perfeição técnica, o diretor não soube aproveitar o que tinha em mãos. De qualquer forma, o filme é bom e serve como uma grande homenagem ao cinema. Porém, a grande surpresa fica por conta do ator Sacha Baron Cohen, famoso pelos filmes de besteirol (como Bruno e Borat), dessa vez ele abandona o besteirol para interpertar o guarda perseguidor de crianças.
Ah! Se alguém puder me dizer o que Hugo inventa, por favor me diz.
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CISNE NEGRO


O filme em questão foca em uma única protagonista, Nina Sayers, uma bailarina em busca da perfeição. A atriz é o foco das câmeras, e os outros personagens aparecem para radicalizar a forma de Nina levar a vida. A personagem sempre prezou pela delicadeza, elos bons modos e pela dedicação na arte da dança. A atuação de Natalie Portman nos convence que ela dança perfeitamente, ela incorpora a paixão pela dança, retratando uma personagem que faz da dança a principal prioridade de sua vida. A maneira que a história do espetáculo Lago dos Cisnes é contada dentro do filme nos remete a metáfora da própria vida de Nina. Ela parece um animalzinho frágil, que foi enfeitiçada pela dança e que cumpre sua saga sem esperanças de achar um príncipe encantado que quebre o feitiço. Na verdade ela não pretende voltar a ser o que era antes, ela é um perfeito Cisne Branco. A partir do momento que ela enxerga obstáculos que podem impedi-la de chegar ao seu objetivo, ela se conscientiza de que tem que mudar seu modo de agir para virar o Cisne Negro que todos esperam dela. A personagem principal tem uma relação conflituosa com a mãe, que a superprotege, tendo consciência de seu problema psicológico e nada fazendo para ajudá-la. A mãe de Nina acha que mais cômodo culpar o pai de Nina pela carência que a filha sente e descarrega a frustração de sua carreira de bailarina através de uma pressão ferrenha no psicológico abalado de Nina. Ela corta suas unhas, mas a incentiva a levar ainda mais a sério seu disputado papel no espetáculo Lago dos Cisnes. O medo que Nina tem de perder sua única chance de ser uma estrela a faz enxergar Lily como uma rival, quando no fundo ela nutre uma admiração secreta pela liberdade que Lily transpira ao se expressar tanto na dança quanto na vida. O filme traz em sua linguagem uma forma “nova” de representar o delírio, uma escolha estética longe do que se espera encontrar em um filme que aborda aspectos como o inconsciente humano. Ao invés de atmosferas etéreas e uma delimitação clara do que é verdade e o que é imaginação, somos levados a crer que ela se machuca (com cortes, perfurações e com bulimia) sem ter consciência do que faz, quando na verdade o simples fato de ela esconder suas “marcas” implica na consiência de seu delírio. Talvez Nina saiba o que estava fazendo, e seu conflito entre o bem e o mal, entre o Cisne Branco e o Cisne Negro não pudesse ser resolvido pela sua incapacidade de lidar com os dois lados de uma mesma personalidade. O ser humano em si é frágil, e tem suas qualidades e defeitos, todos nós lutamos para que prevaleça o Cisne apropriado.


Ao longo do filme, temos a impressão que a personagem entra num processo de autoconhecimento, seja através da masturbação que ela não se permitia praticar, seja através da rebeldia de sair de casa sem a “autorização” da mãe. A passo que ela se conhece, mais ela se assusta com o que ela é e passa a reagir violentamente a tudo que a incomoda, sua personagem passa a utilizar mais trajes escuros e sua maquiagem se torna menos leve. Em alguns momentos ela tenta retrair seu “eu-problemático” e se mirar no “outro”, escolhendo a bailarina Beth como ídola e projetando em si o mesmo sucesso que a velha dançarina conseguiu. Natalie tem uma atuação muito convincente, que emociona o expectador.


O suspense do roteiro foi muito bem trabalhado na fotografia do filme e na escolha de planos próximos, gerando uma sensação de intimidade com a personagem. O efeito poético que as coreografias trazem é especial para quem nunca teve contato com o balé, despertando a curiosidade para o fato de realmente as bailarinas que vemos parecerem perfeitas, perfeitas até demais. Viver é ser imperfeito. Ao final de seus 108 minutos, o filme apresenta a visão que a busca pela perfeição é infinita, mas que a perfeição pode sim ser alcançada e eternizada com o selo da morte. A estrutura de apresentação do perfil dos personagens nos primeiros 30 minutos de filme e a presenças de frequentes pontos clímax, imprimem um ritmo na montagem que não desaponta quem gosta do típico final feliz do cinema norte-americano. Nina opta pelo escape, tornando o final do filme um alívio para o sofrimento dela, tratando-se portanto de um final feliz.



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INVICTUS


MORGAN MANDELA

Um filme de Clint Eastwood; isso já diz quase tudo. Sou muito fã deste diretor e, por isso, já vou dizendo que o filme é bom. Novamente em parceria com Morgan Freeman (que já é a cara de Nelson Mandela), esse diretor conta a história de Nelson Mandela de forma sensível e de coração; transformando a história em um grande filme.

Invictus fala do começo do governo Mandela na África do Sul. Após vinte e sete anos preso por conta da ditadura, Mandela é eleito presidente encarando o desafio de unir os povos após anos de apartheid e de reconstruir o país.

Utilizando o artifício, que muitos presidentes já fizeram, Nelson Mandela aproveita o mundial do esporte mais popular da África – o rugby – para mostrar ao país que é importante a união para se conseguir uma vitória. Mandela procura François Pienaar (Matt Damon), o capitão dos Springboks – a seleção Sul-Africana de rugby para dar conselhos e quase dizer ‘vocês precisam ganhar!’. Para dar ainda mais força ao time, Mandela utiliza o texto Invictuous, de William Ernest Henley, que ele mesmo lia quando estava exilado. A frase final do poema diz: “Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma”. Lindo, não é?

Enganei-me ao achar que, por falar de Nelson Mandela, o filme ia falar sobre (e somente só) o apartheid; é mais que isso. Com todos os seus slow-motions – aquele efeitozinho de câmera lenta (comuns em filmes que tem o esporte como tema) o filme é escrito por Anthony Peckham, baseado na obra literária ‘Playing the Enemy: Nelson Mandela and the Game That Made a Nation’ de John Carlin. Um filme Eastwoodiano.

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OSCAR 2011



Ontem foi dia de Oscar. Infelizmente não pude estar twittando freneticamente durante a cerimônia. De qualquer forma, segue a lista dos ganhadores da estatueta mais cobiçada do mundo cinematográfico. Parabéns a todos os ganhadores e se você não viu alguns dos ganhadores aqui no blog, em breve você verá.


MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Alice no país das maravilhas


MELHOR FOTOGRAFIA
A Origem


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Melissa Leo (O Vencedor)


MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (O Vencedor)


MELHOR CURTA METRAGEM DE ANIMAÇÃO
The Lost Thing (Shaun Tan e Andrew Ruheman)


MELHOR LONGA METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Toy Story 3


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A rede social


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
O discurso do Rei


MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA
Em um mundo melhor (Dinamarca)


MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
A rede social (Tren Reznor e Atticus Ross)


MELHOR MIXAGEM DE SOM
A Origem


MELHOR EDIÇÃO DE SOM
A Origem


MELHOR MAQUIAGEM
O Lobisomen


MELHOR FIGURINO
Alice no país das maravilhas


MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM
Strangers no more


MELHOR CURTA METRAGEM
God of Love


MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA METRAGEM
Trabalho interno


MELHORES EFEITOS VISUAIS
A Origem


MELHOR EDIÇÃO
A rede social


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
We belong together (Toy Story 3)


MELHOR ATRIZ
Natalie Portman (Cisne Negro)


MELHOR ATOR
Colin Firth (O discruso do rei)


MELHOR DIRETOR
Tom Hooper (O discurso do rei)


MELHOR FILME
O discurso do rei






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BIUTIFUL


BEAUTIFUL BIUTIFUL


Para começar, o título ‘Biutiful’ se dá por conta de uma cena em que Uxbal (Javier Bardem) é questionado pela filha como se escreve ‘beautiful’ e ele responde: Assim mesmo como se fala! Explicação do título feita; vamos falar sobre o filme.


É até meio difícil definir Biutiful... Uma palavra, talvez... Desgraça! Biutiful é um filme lindo e longo sobre a vida sofrida de Uxbal. Com o trauma de não conhecer o rosto de seu pai, ele é um homem pobre que cria os seus filhos com muita dificuldade fazendo coisas ilegais, já que a mãe deles sofre de transtorno bipolar. Uma relação linda de amor com seus dois filhos. Além disso, ele sofre vendo espíritos e tendo que usar seu dom de médium para ganhar dinheiro. Para completar, aos (mais ou menos) 40 minutos de filme, Uxbal descobre que tem um câncer em estado avançado e que tem apenas uns dois meses de vida.


Uxbal é um herói trágico que passa as 2 horas e 30 minutos do filme igual ao cartaz do filme; com a expressão preocupada no submundo da Espanha. Essa dura e sobrecarregada atuação de Javier Bardem merece todo o nosso respeito, pois está bastante convincente no papel. A trama é toda linear e isso, juntamente com os dramas do enredo, torna o filme pesado, denso e porque não dizer... cansativo. É como estar vendo uma cena de esquartejamento sem cortes. A intenção do diretor Alejandro González Iñárritu deve ter sido justamente essa...incomodar.


Biutiful é um filme lindo, sem dúvidas! Com cenas lindas e uma história de vida bacana, mas com certeza é um daqueles filmes que você não assistiria duas vezes.

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UP - ALTAS AVENTURAS


CLASSIFICAÇÃO LIVRE

Um garotinho está no cinema e assiste a um cinejornal que fala do seu ídolo aventureiro - Charles Muntz. Charles é um ídolo até o acusarem de fraude por não conseguir provar a existência de uma ave. Ele fala que vai provar que é verdade, volta pra ilha onde supostamente descobriu o pássaro e cai no esquecimento. Esse garotinho que está no cinema se chama Carl Fredricksen e na volta, ao passar por uma casa abandonada, conhece a garotinha e também aventureira Ellie.

Carl Fredricksen e Ellie ficam amigos, namoram e se casam. Reconstroem a mesma casa onde se conheceram e decoram cada detalhe. Ela, dona de casa e ele, um vendedor de balões. Ellie sempre teve o sonho de morar próximo a uma cachoeira na América do Sul, só que aos poucos foi se perdendo o espírito aventureiro. Os dois foram ficando velhos – sempre se amando e Ellie morre. Todo esse segundo parágrafo é contado de forma perfeita numa sequência linda apenas ao som de uma trilha leve ao fundo e não toma mais do que 5 minutos.

De forma melancólica e hipnótica, a história vem para os dias atuais e Carl Fredricksen – já um senhor de idade – é o único morador de sua rua que não vendeu seu terreno para uma construtora que quer construir dezenas de prédios pela região. Com isso, ele é considerado ranzinza e ao tentar salvar sua caixa de correio, ele bate o andador na cabeça de um cara da construtora e é considerado uma ameaça para a sociedade, sendo obrigado a ir para um asilo. Só que o que ninguém esperava é que Sr. Fredricksen iria amarrar centenas de balões em sua casa e levantar vôo; e o que ele não esperava é que ele teria mais um tripulante por acidente – o garotinho solitário Russel, que precisava ajudar um idoso para ganhar o último distintivo que falta pra ele ser um escoteiro sênior e poder impressionar seu pai.

Os dois vão se aventurando pelos ares e arrastando a casa com o intuito de realizar o sonho de Ellie; o de morar próximo a tal cachoeira - na mesma posição onde Ellie sempre imaginou ter sua casa. No meio da selva eles reencontram Charles Muntz que passa de ídolo a grande vilão da história e vivem uma grande e perigosa aventura.

Desta vez a Pixar e a Disney levou ao pé da letra essa questão de se fazer um filme para todas as idades... rs. Ainda bem! Up-Altas Aventuras também esteve na lista de indicados de Melhor Filme em 2010, mas quem levou mesmo foi Guerra ao Terror. Para as crianças, diversão. Para os adultos, reflexão.

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BRAVURA INDÔMITA


NÃO AMANSADA

Quase não ia ver este filme por dois motivos: o nome do filme parece um xingamento e quando vi o trailer, percebi que tinha uma pegada meio faroeste. Eu tenho problemas com filmes de faroeste. Mas fui! E vocês também precisam ir.

Bravura Indômita conta a história de uma garota de 14 anos que vê o seu pai ser assassinado e decide se vingar. Essa menina de bravura indômita se chama Mattie Ross que é interpretada linda e friamente (como deveria ser) por Kim Darby. Essa garota surpreende a todos pela sua esperteza, capacidade de negociação e coragem; ela consegue um dinheiro vendendo umas coisas do pai (numa bela negociação) e contrata um xerife para capturar o assassino de seu pai. Esse xerife é o beberrão Rooster (Jeff Bridges) que não quer que ela vá junto e até decide sair à caça antes do previsto, mas ela quer ter certeza de que o assassino de seu pai vai ser pego e o segue. Quem também vai para essa caçada é o ranger texano LaBoeuf (Matt Damon) que já estava disposto a pegar o mesmo cara por outros crimes.

Os três seguem à caça do assassino e para chegar até ele, passam por belas paisagens, tem belos diálogos e passam por diversas aventuras. Perseguições, mortes, tiros e mais tios. A relação entre eles vai crescendo, principalmente entre Rooster e Mattie.

Somente depois fui saber também que o filme está com 10 indicações para o Oscar nas categorias Melhor filme, Melhor diretor (Joel e Ethan Coen), Melhor ator (Jeff Bridges), Melhor atriz coadjuvante (Hailee Steinfeld), Melhor fotografia (Roger Deakins), Melhor roteiro adaptado, Melhor direção de arte, Melhor figurino, Melhor edição de som e Melhor mixagem de som. É impossível não prever que vá ganhar boa parte desses prêmios, já que o mesmo parece ter sido feito sob encomenda para o Oscar e é o típico filme que o norte americano gosta de ver.

O filme se baseia no romance de 1968 do jornalista Charles Portis e já foi filmado em 1969. Este remake ficou por conta dos mesmos diretores de Onde os fracos não tem vez - que já levou o Oscar de Melhor filme em 2008. Bravura Indômita é uma obra quase perfeita com uma fotografia maravailhosa. Ah! E antes que eu esqueça... o significado de ‘indômita’ está no título deste post, tá?

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A REDE SOCIAL


O QUE VOCÊ ESTÁ VENDO AGORA?

Baseado na obra de Ben Mezrich, "Bilionários por Acaso – a Criação do Facebook", ‘A rede social’ conta a história da criação do Facebook (ohhhhh!) – a maior rede social do mundo com mais de 500 milhões de usuários, tornando o seu fundador Mark Zuckerberg, um dos jovens mais ricos do planeta com pouquinha grana... algo em torno de 25 bilhões de dólares...

Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), estudante da tradicional e elitizada Universidade de Harvard fala pelos cotovelos (e em termos ‘nerds’) com sua namorada que não suporta mais e dá o pé em sua bunda. Ele, revoltado com o término do namoro, chega em casa e em frente ao seu computador começa a escrever mal de sua ex namorada em seu blog e percebe a força que é ter amigos em rede na internet quando, em uma brincadeira, ele começa a fazer comparações entre as mulheres da universidade. Um vai passando a brincadeira pra outro e isso consegue travar o sistema da faculdade.

É aí que Mark começa a sua fama e seus julgamentos. A partir daí, Mark chama seu amigo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield) (em tudo tem que ter um brasileiro, né?) e começa a amadurecer a ideia do ‘The Facebook). A ideia vai crescendo e os dois começam a querer ganhar dinheiro com a rede social. Eduardo é o vendedor, mas não obtém muito sucesso. É aí que eles conhecem o louco empresário interpretado por Justin Timbarlake que começa a causar ciúmes por parte de Eduardo que acaba sendo obrigado a sair da sociedade.

O filme é construído a partir de cenas do julgamento de Mark em processos abertos pelo seu amigo Eduardo e pelos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer) e Divya Narendra (Max Minghella) que o acusam de plágio e por flash backs que mostram a o que está sendo falado nos julgamentos. Os diálogos do julgamento são consistentes, densos e às vezes engraçado quando Mark ‘nerdemente’ não presta atenção. Na verdade ele está prestando super atenção e vem sempre com uma frase certeira.

Apesar do personagem real dizer que o filme é apenas uma obra de ficção, não tem como não ver o filme como uma obra real ao pé da letra. Será que tem algo de ficção na história?

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UM SONHO POSSÍVEL


O LADO POSSÍVEL

‘O lado cego (The blind side)’ é o título original do filme e a explicação do nome, para nós brasileiros não acostumados com o futebol americano foi muito importante. Um sonho possível é roteirizado e dirigido por John Lee que baseou toda a história no livro The Blind Side: Evolution of a Game, de Michael Lewis.

O filme foi feito para emocionar e conta a história real de sofrimento, luta e sucesso do jogador de futebol americano Michael Oher, interpretado por Quinton Aaron.

Michael, depois de passar por várias casas de família ao qual foi adotado é matriculado numa escola cristã por seu último pai adotivo. Com pouquíssimo grau de instrução, ele só foi aceito na escola na esperança de ser um sucesso no esporte. Abandonado pela mãe viciada em drogas e cheio de traumas, Michael ainda sofria preconceito por ser negro, muito alto, gordo e ‘burro’.

Quando ele foge da casa do pai que o matriculou, ele fica sem destino e sem ter onde dormir – apenas com um saco com duas peças de roupa dentro. Dessa forma, ele é encontrado andando na rua e com frio pela família Tuohy que também tem dois filhos na mesma escola que ele. Inicialmente levado para a casa deles para passar uma noite, Michael vai ganhando a simpatia da família e vai ficando... ficando... até ser adotado pela família que faz de tudo para ajudá-lo. Sempre valorizando e considerando os valores cristãos.

A família Tuohy é representada principalmente pelo garotinho espevitado e super engraçado S.J. (Jae Head) e pela mãe Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock). Sandra inclusive ganhou o primeiro Oscar de sua carreira com este papel que, mesmo num drama, não deixa de ser a Sandra Bullock que conhecemos.

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GUERRA AO TERROR


GUERRA À GUERRA


Surpreendentemente lindo. Não gosto de filmes de guerra onde se tem tiro pra lá e tiro pra cá a todo o momento, mas fui vê-lo porque sabia que tinha algo diferente para ele ter ganhado o Oscar de Melhor filme. E realmente tem! Não é um filme de guerra; e eu adorei. Começando com a frase "a guerra é um vício" (tirada do livro War is a Force That Gives Us Meaning, do jornalista Chris Hedges), já mostra o que nos espera – a guerra num drama psicológico.


Depois de tanto explorada, principalmente depois das versões spielberguianas e da guerra no Iraque, o tema “guerra” é mostrado de uma forma poética - o lado e o terror vivido pelo esquadrão responsável por desarmar bombas em Bagdá. Mas as bombas não são desarmadas como nos filmes em que se tem cortar o fio vermelho ou azul...


Jeremy Renner interpreta o herói (ou anti herói) que já desarmou mais de oitocentas bombas e não teme em fazer o que for necessário para desarmar mais e mais; sem medo do perigo. Em uma das cenas, ele entra embaixo do chuveiro com roupa e ainda assim, escorre sangue pelo ralo e em outra ele tira uma bomba de dentro de um cadáver de um garoto. Chocante, não!? Vocês precisam é ver a cena... coisas de uma guerra.


Quando se passa os 38 dias do revezamento, ele volta pra casa e a guerra continua em sua cabeça ao conversar com sua mulher sobre o que acontecia em campo e a ensinar ao seu filho (ainda bebê) que na idade do pai, só se ama de verdade uma pessoa – esta parte ocupa pouquíssimo tempo dos 130 minutos da trama.


Sinceramente não sei se posso chamar Guerra ao Terror de filme, já que em muitos momentos via como um documentário. Atuações brilhantes, poucos diálogos, fotografia genial e o ritmo lento no agoniante uso da câmera lenta, fazem com que a direção de Kathryn Bigelow nos transporte para a agonia da guerra e com que a tensão permaneça no espectador do começo ao fim. Guerra ao Terror não tem um enredo com início, meio e fim; mostra que cada dia em uma guerra pode ser o último dia de um soldado ou de qualquer que estiver por perto.

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OSCAR 2010


THE OSCAR GOES TO...

Ontem foi dia de Oscar - o prêmio mais cobiçado da indústria cinematográfica. Segue lista dos indicados e, em vermelho, os ganhadores nas respectivas categorias:

Amor sem Escalas

Melhor Diretor
Jason Rietman (
Amor sem Escalas)
James Cameron (
Avatar)
Quentin Tarantino (
Bastardos Inglórios)
Lee Daniels (
Preciosa - Uma História de Esperança)
Kathryn Bigelow (
Guerra ao Terror)

Melhor Ator
Jeff Bridges, por
Coração Louco
George Clooney, por
Amor Sem Escalas
Colin Firth, por
Direito de Amar
Morgan Freeman, por
Invictus
Jeremy Renner
, por Guerra ao Terror


Melhor Atriz
Sandra Bullock, por Um Sonho Possível

Helen Mirren, por
The Last Station

Gabourey "Gabby" Sidibe por
Preciosa - Uma História de Esperança

Carey Mulligan, por
Educação

Meryl Streep, por
Julie & Julia


Melhor Ator Coadjuvante

Matt Damon, por
Invictus

Christopher Plummer, por
The Last Station

Woody Harrelson, por
O Mensageiro

Stanley Tucci, por
Um Olhar no Paraíso

Christoph Waltz, por Bastados Inglórios


Melhor Atriz Coadjuvante

Maggie Gyllenhaal, por
Coração Louco

Mo'Nique, por Preciosa - Uma história de Esperança

Anna Kendrick, por
Amor Sem Escalas

Vera Farmiga, por
Amor Sem Escalas

Penélope Cruz, por
Nine


Melhor Roteiro Original

Up - Altas Aventuras

Bastardos Inglórios

Guerra ao Terror

O Mensageiro
Um Homem Sério

Melhor Roteiro Adaptado

Distrito 9
Educação
In the Loop
Preciosa - Uma História de Esperança
Amor Sem Escalas

Melhor Filme Estrangeiro
Ajami

O Segredo dos seus olhos (Argentina)

A Teta Assustada

Un Prophète

A Fita Branca


Melhor Animação

Up - Altas Aventuras

The Secret of Kells

Coraline e o Mundo Secreto

A Princesa e o Sapo

O Fantástico Sr. Raposo


Melhor Fotografia

Avatar

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

A Fita Branca


Melhor Direção de Arte
Avatar

O Imaginário Mundo do Dr. Parnassus

Nine

Sherlock Holmes

The Young Victoria


Melhor Figurino
Brilho de uma Paixão

Coco Antes de Chanel

O Imaginário Mundo do Dr. Parnassus

Nine

The Young Victoria


Melhor Som
Avatar

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

Star Trek

Up - Altas Aventuras


Melhor Efeitos Sonoros

Avatar

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

Star Trek

Transformers: A Vingança dos Derrotados


Melhor Montagem

Avatar
Distrito 9
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Preciosa - Uma História de Esperança

Melhor Efeitos Visuais
Avatar

Distrito 9

Star Trek


Melhor Maquiagem
Il Divo
Star Trek

The Young Victoria


Melhor Trilha Sonora
O Fantástico Sr. Raposo
Guerra ao Terror
Sherlock Holmes
Up - Altas Aventuras
Avatar

Melhor Canção
Almost There, de A Princesa e o Sapo

Down in New Orleans, de A Princesa e o Sapo

Loin de Paname, de Paris 36

Take It All, de Nine

The Weary Kind, de Coração Louco


Melhor Curta-Metragem (animação)
French Rost
Granny O'Grimm's Sleeping Beauty
The Lady and the Reaper

Logorama
A Matter of Loaf and the Death


Melhor Curta-Metragem
The Door
Istället för Abrakadabra
Kavi
Miracle Fish

The New Tenants


Melhor Curta-Metragem (documentário)

China's Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province
The Last Campaign of Governor Booth Gardner
The Last Truck: Closing of a GM Plant
Music by Prudence
Rabbit à la Berlin


Melhor Documentário

VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado

The Cove

The Food, Inc.

Which Way Home
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